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25 de abril de 2013

Não troque a renda fixa por aplicações arriscadas



Se você anda ponderando onde investir o seu dinheiro para ganhar mais do que a “ninharia” que a renda fixa mais conservadora paga atualmente, os conselhos do planejador financeiro certificado americano Harold Evensky, CFP, são dos mais pragmáticos. “Os mercados podem não estar felizes com os retornos atuais e procurar por investimentos que paguem mais. Mas fazer isso significa correr um risco que você pode não conhecer e não suportar”, disse Evensky.

Evensky estará de passagem por São Paulo no início de maio, para palestrar no 4º Seminário IBCPF de Planejamento Financeiro Pessoal, promovido pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). Em sua apresentação, o CFP pretende justamente mostrar a visão espartana comum aos planejadores financeiros que entendem que preservar o suado dinheiro de seus clientes é mais importante do que buscar altos ganhos por meio de investimentos.

O Brasil vive uma era de juro real baixo (diferença entre a taxa básica de juros e a inflação). Isso quer dizer que está difícil ganhar do aumento dos preços apenas aplicando nos investimentos mais seguros, como Tesouro Direto, fundos de renda fixa e poupança. Se quando os juros tinham dois dígitos era fácil fazer o bolo crescer na renda fixa, hoje em dia o investidor consegue apenas manter seu poder de compra e olhe lá.

Mas o que dizer dos Estados Unidos, um país onde o juro real é negativo? O Brasil ainda tem a quinta taxa de juro real mais alta do mundo, mas nos EUA a taxa de juros próxima a zero e uma inflação em torno de 1,5% faz com que a renda fixa mais conservadora perca da alta dos preços. Mesmo assim, diz Evensky, os títulos do Tesouro são parte importante da carteira de investimentos dos americanos. Em sua avaliação, o percentual pode variar de 30% a 60% do portfólio, dependendo do perfil do investidor.

Preservar o patrimônio deve ser prioridade

Mas por que os americanos aceitariam taxas tão baixas nos títulos do Tesouro de seu país? A resposta é simples: segurança. “Os investidores podem pensar no investimento em títulos do Tesouro como uma espécie de seguro. O prêmio que você ‘paga’ para não perder o seu dinheiro é aceitar um retorno baixo”, exemplifica Evensky.

“Sair da renda fixa é uma visão estreita. É preciso olhar para o longo prazo”, observa o especialista, que lembra que o mercado de ações pode ganhar muito, mas também pode perder bem mais que o mercado de títulos públicos. “A ideia é ter uma carteira diversificada, com ações e títulos públicos, porque nós não sabemos para onde o mercado vai”, explica.

Para Evensky, é mais importante preservar o patrimônio de um revés da economia ou do mercado de renda variável do que buscar altos retornos e acabar se machucando na empreitada. “Você tem que se proteger do risco futuro, não só do risco de hoje. O que quer que aconteça na economia, vai ser surpreendente”, diz. E completa: “Tentar ser tático pode ser perigoso, porque você tende a fazer a coisa errada.”

Se isso vale para um país onde o juro real é negativo - e onde as taxas de juros dos títulos do Tesouro de prazo de 30 anos não ultrapassam os 3% -, por que não haveria de valer no Brasil, onde ainda é possível ganhar da alta inflação com relativa tranquilidade nas aplicações mais conservadoras, ainda que só um pouquinho?

Investimentos seguros também visam ao longo prazo

Harold Evensky defende ainda que aceitar os baixos retornos em troca da preservação de capital tem a ver com uma visão de longo prazo. “Não acredito que se deva investir em ações ou mesmo em títulos públicos se você vai precisar do dinheiro em menos de cinco anos”, explica.

Para ele, objetivos financeiros de até cinco anos devem ser considerados de curto prazo, e o dinheiro destinado a eles deve mesmo é ficar no banco. “Você vai ter que aceitar que não vai receber nada pelo dinheiro que você precisa para comprar comida, viajar ou pagar sua festa de casamento, porque ele precisa estar lá”, afirma.

Investimentos atrelados à inflação merecem atenção especial

O planejador financeiro lembra que o mais importante ao se investir para o longo prazo é considerar a taxa de juro real, isto é, o ganho acima da inflação. É esse o verdadeiro fermento que faz o bolo crescer. E nada melhor para garanti-la do que uma aplicação cujos rendimentos sejam automaticamente corrigidos pela inflação oficial.

Nos Estados Unidos há mais de um tipo de título do Tesouro que protege o dinheiro da inflação. Seriam, grosso modo, como as Notas do Tesouro Nacional série-B (NTN-B) brasileiras, vendidas no Tesouro Direto. Só que por lá, um desses títulos, as TIPS, vem apresentando retorno negativo. Mesmo assim, afirma Evensky, esses títulos continuam sendo parte importante do portfólio dos pequenos investidores americanos.

“Ainda aconselhamos a aplicação de 15% da carteira nesses títulos, pois a inflação pode estar baixa hoje e aumentar muito com o tempo”, diz Evensky. Como no caso das TIPS a correção da inflação incide sobre o principal, e não sobre os juros, esses títulos se beneficiam da alta dos preços.

É hora de economizar nas taxas

Planejadores financeiros americanos, bem como acadêmicos da área financeira, costumam ser obcecados com a ideia de reduzir os custos dos investimentos ao máximo. E no Brasil de juros baixos essa é, de fato, uma ótima ideia. As taxas de administração dos fundos de renda fixa e mesmo as do Tesouro Direto são decisivas para determinar se vale a pena ou não aplicar nesses investimentos. Hoje em dia, um fundo DI de taxa de 1,0% ao ano – o que já foi considerado bem barato – perde da caderneta de poupança para aplicações de até um ano.

Mesmo no mercado de renda variável, as altas taxas de administração de fundos ou de corretagem podem ser fatais para os rendimentos do investidor. Evensky sugere, por exemplo, que 80% dos investimentos em renda variável sejam feitos por meio de fundos de índices, os ETFs, que apenas replicam índices de mercado.

Bastante populares nos Estados Unidos, esses fundos têm taxa de administração bem barata e cotas negociadas em Bolsa. No Brasil, porém, esses fundos ainda não têm tanta popularidade, e o mais negociado é o que segue o Ibovespa - não exatamente o indicador de melhores retornos nos últimos anos.

11 de abril de 2013

Quatro opções para quem quer comprar o segundo imóvel




O preço dos imóveis subiu mais que o dobro da inflação em 12 meses. É o que mostra o índice FipeZap Composto, que mede o reajuste do metro quadrado em sete capitais do País - São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Salvador, Fortaleza e Recife. No período, até março, a variação do índice foi de 12,2%, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 6,43%. Para o comprador, preço elevado é sinônimo de dificuldade para a aquisição do bem à vista, principalmente para quem já usou os recursos do Fundo Garantidor de Tempo de Serviço (FGTS) na negociação do primeiro imóvel. Veja abaixo quatro opções selecionadas pelo Economia & Negócios para esse perfil de comprador:

Consórcios

Se o horizonte de compra de imóvel é o médio ou longo prazo, especialistas recomendam o consórcio imobiliário. Entre as principais vantagens, está o custo, em geral mais baixo que em outras modalidades. "Se a pessoa não tem a necessidade de ter o imóvel no curto prazo, o consórcio é a opção mais vantajosa. O único custo, neste caso, é a taxa de administração, que fica em 1% ao ano", conta o professor da Fipecafi, Silvio Paixão.

Nessa modalidade, a pessoa vai fazendo uma espécie de "poupança" que será convertida em uma carta de crédito no futuro, para que ela utilize na compra de um imóvel. Com o dinheiro na mão para a compra à vista, o comprador pode conseguir melhores negócios do que em um financiamento. Todos os meses, há uma carta de crédito para o sorteado entre os membros do consórcio e outra é entregue para o lance mais alto.

"No Bradesco, os lances são livres e são limitados a pelo menos 20% do valor da carta", explica o diretor da Bradesco Consórcios, Helio Dias. A taxa cobrada no banco é de 1,5% ao ano, por 144 meses, ou seja, 18% em 12 anos. Há uma análise da renda na hora de vender o consórcio e cada cota pode ser de no máximo R$ 300 mil no Bradesco.

Dias comenta que a modalidade oferece também a vantagem de transferência da carta de crédito para outra pessoa, sem tributação. "Um pai pode fazer um consórcio e quando for contemplado repassar para o filho que vai casar, por exemplo", afirma.

Refinanciamento

O refinanciamento imobiliário é outro produto facilmente encontrado. Nele, o proprietário do imóvel financia seu bem, recebe o dinheiro para comprar a nova propriedade e paga as parcelas do financiamento à instituição. "Pode ser um imóvel urbano, residencial. Galpões industriais, por exemplo, não podem ser refinanciados", explica o diretor da BM Sua Casa, Elyseu Mardegan. "É um produto que se adapta a quem recebeu herança e não quer se desfazer desse patrimônio para comprar outro imóvel, por exemplo", diz.

Na Brazilian Mortgages, o refinanciamento pode chegar a 50% do valor do imóvel. Em geral, o crédito é liberado entre 20 e 30 dias. Entre os custos, há a avaliação do imóvel e da documentação, que juntos somam cerca de R$ 800. A taxa de juros cobrada é de 1% ao mês mais IGP-M. Mardegan conta que entre os interessados no produtos há micro e pequenos empresários em busca de um segundo imóvel próprio ou de capital de giro até pessoas físicas que querem investir em um segundo bem.

O risco da modalidade é a perda do imóvel refinanciado, caso o devedor não pague a dívida, já que o bem passa a ser alienado à empresa que liberou o crédito. Assim, sempre é preciso checar a capacidade de pagamento para não assumir uma dívida maior do que é possível pagar. "Sempre tentamos renegociar nesses casos, alongando o prazo, por exemplo", conta o diretor da BM.

Financiamento

A modalidade mais comum do mercado também pode ser usada na compra do segundo imóvel. "Não fazemos distinção se é o primeiro ou o segundo imóvel, apesar do primeiro caso ser mais comum", comenta o diretor da área de crédito imobiliário do Bradesco, Cláudio Borges. A vantagem é poder utilizar o crédito mais rapidamente, em um mês por exemplo. O custo, porém, costuma ser um pouco maior. No Bradesco, o juro do crédito imobiliário varia entre 9,5% e 9,8% ao ano mais Taxa Referencial. O prazo máximo é de 30 anos.

O financiamento pode ser de até 80% do valor do imóvel, mas o professor Silvio Paixão alerta que o mais adequado é não ultrapassar 50% - o que, segundo ele, vale para financiamento, refinanciamento ou consórcio. Caso o segundo imóvel seja para investimento, a dica é utilizar o valor recebido no aluguel para pagamento da parcela do financiamento.

Planta

Imóveis comprados na planta são conhecidos por oferecerem descontos. Segundo o professor da Fipecafi, há três momentos para o investimento: na construção do projeto, no lançamento ou quando está sendo construído. Em geral, a pessoa física comum entra nos dois últimos, já com descontos menores em relação ao investidor que já acompanha a construtora e é chamado para alocar recursos no projeto. Mesmo assim, o valor costuma ser mais barato do que um imóvel pronto.

A desvantagem é o tempo de espera. "A compra na planta é indicada quando a pessoa não tem urgência na mudança ou no investimento, pois ela pode receber a chave depois de dois ou três anos", afirma a diretora da Lello Imóveis, Roseli Hernandes.

Outras dicas

Qualquer que seja a modalidade escolhida, há duas dicas para quem vai comprar o segundo imóvel. A primeira é contar com uma boa assessoria jurídica ou consultoria para analisar os documentos envolvidos na transação. Se o vendedor tiver problemas jurídicos, como um processo trabalhista, o imóvel pode ser usado para quitar a dívida dele.

Além disso, se o proprietário tiver o dinheiro do imóvel para comprá-lo à vista, vale à pena avaliar quanto o dinheiro renderia se fosse investido. "Às vezes, o comprador investe bem o dinheiro e está conseguindo uma taxa maior do que o juro de um financiamento", diz Paixão.

Com informações de Estadão

6 de novembro de 2012

Caixa sobe em mais de 130% valor do teto do consórcio imobiliário



A partir desta terça-feira (6), a Caixa Econômica Federal passa a oferecer cartas de crédito do Consórcio Imobiliários com valores de R$ 400 mil a R$ 700 mil para seus clientes, um aumento de 133,33% já que o teto anterior era de R$ 300 mil. Os novos valores terão prazo de 200 meses e taxa de administração total de 16%.

Para o diretor de consórcios da Caixa, Maurício Maciel, o mercado de crédito esta crescendo de forma acelerada, assim como a venda de imóveis. “Os novos produtos são uma resposta para a atual realidade do setor imobiliário”, explica. Maciel ainda conclui que os consórcios são uma alternativa para quem quer aumentar o patrimônio e realizar projetos.

Atualmente, o banco possui uma carteira de mais de R$ 12 bilhões em crédito para seus 159 mil consorciados ativos, tendo contemplado 70% deles.
Alternativa

Ainda segundo Maciel, o consórcio é uma opção para quem não tem condições financeiras de comprar um bem à vista, pois é econômico e planejado. O cliente tem a comodidade de programar o orçamento doméstico, escolhendo o grupo que mais se encaixe ao seu bolso e à realização dos seus objetivos.

Com informações de Infomoney